Campos: volta às aulas em março com ensino híbrido

CAMPOS/Plano de retomada das aulas foi apresentado pela prefeitura em reunião com MP. Sepe diz que proposta é absurda


  • 18/02/2021, 20h24, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

(Vídeo ao final das informações) / (Atualização do texto às 21h24 para acrescentar informações da prefeitura) - O plano de retomada das aulas em Campos pelo sistema híbrido, que mescla aulas presenciais e on-line, foi apresentado nesta quinta-feira (18) em uma reunião entre  o secretário municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Marcelo Feres, o subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde, Charbell Kury, o núcleo local do Sepe (Sindicato Estadual dos Professores) e do Sindicato das Escolas Particulares (Sinep) com a promotora de Justiça e Tutela Coletiva da Infância e Juventude, do Ministério Público Estadual (MP), Anik Assed. A prefeitura de Campos divulgou como será o "Plano de Implantação do Modelo Híbrido nas Unidades Escolares"(veja ao final das informações). O plano não foi bem recebido pelo Sepe, que marcou assembleia para o dia 1º de março.  

O secretário  Marcelo Feres defende que 10 por cento dos alunos da educação infantil retornem às salas no dia 8 de março, tanto da rede pública municipal quanto da rede particular. Já no final do mês de março, 50 por cento dos alunos do ensino fundamental voltarão às escolas. De acordo também com o plano de retomada da prefeitura, em abril seria a vez do retorno da totalidade dos alunos. (Leia mais abaixo)

O plano de retorno às aulas no sistema híbrido, que tem o aval da Secretaria Municipal de Saúde, não foi bem recebido pelos professores. O Sepe achou a proposta absurda. (leia abaixo)

"Nós, do Sepe, consideramos absurda está proposta de retorno às aulas, no momento em que o país assiste a um pico de casos de contaminação e óbitos", disse a diretora do Sepe, Graciete Nunes Santana, através de um vídeo gravado nas redes sociais.

PREFEITURA DIVULGA COMO VAI FUNCIONAR  - Atendendo ao critério de isonomia demandada pelo MP, a Educação Infantil nas escolas públicas e particulares iniciará entre 08 e 29 de março. A rede municipal vai começar com, no mínimo, 10% das unidades escolares, ampliando para, no mínimo, 50% das unidades em até 30 dias após esse período estabelecido, alcançando a totalidade das unidades em até 60 dias. Já as aulas híbridas para o Ensino Fundamental em todas as escolas públicas (estaduais e municipais) e privadas terão início no período entre 22 de março e 22 de abril de 2021, seguindo o mesmo esquema de progressão percentual, desde que condicionadas ao aval da Vigilância Sanitária do município. 
 
Segundo Feres, cada escola vai criar uma Comissão Pró-Saúde, formada por pais e educadores, que ficará responsável por monitorar o cumprimento dos protocolos estabelecidos pela Secretaria de Saúde. Nas quatro primeiras semanas de aula, o monitoramento deverá ocorrer de forma semanal, com elaboração de relatórios referentes à adequação e cumprimento das normas, que deverão ficar arquivados na escola e à disposição das Secretaria de Saúde e Educação.
 
“Não se trata ainda de um retorno presencial, mas um modelo prudente e responsável, sem perder o foco na proteção dos profissionais da educação, alunos e seus familiares. Com base em evidências científicas mundiais e em concordância com as diretrizes do Governo do Estado e Federal, o planejamento se deu de modo a garantir a segurança sanitária que propicie um ambiente saudável e com o menor risco possível para a saúde e o bem-estar da comunidade escolar”, explicou o secretário.
 
De acordo com o subsecretário de Saúde, toda a programação está sujeita às análises epidemiológicas sobre a doença e às orientações dos órgãos de saúde nacionais e internacionais sobre as medidas sanitárias a serem tomadas. “Em caso do Município retornar às fases laranja e vermelha, as aulas deverão retornar imediatamente ao formato não presencial. Além disso, o Departamento de Vigilância Sanitária visitará as escolas a fim de acompanhar o cumprimento das normas previstas”, informou Charbell.
 
A promotora destacou a importância da isonomia entre estudantes da rede pública e particular. “O município está estabelecendo critérios e normas, por meio desse Plano, para que as escolas retornem em etapas, que são as mesmas previstas para as três redes (municipal, estadual e particular). Cada gestor vai poder sinalizar com as datas adequadas de acordo com suas necessidades e circunstâncias de retorno, dentro do período previsto. O município não está ordenando que todas as escolas retornem na mesma data, mas está estabelecendo critérios para esse retorno”, afirmou Dra Anik. 
 
Ela acrescentou que o início das aulas de forma híbrida não provoca violação de direitos das crianças e adolescentes. “O Ministério Público vai fiscalizar se as escolas estão ou não preparadas para o retorno e adotar as providências. O município não deixou de sinalizar e já se antecipou, informando que diversas escolas não têm condições estruturais para voltar de forma imediata. Colocar as crianças nessas escolas de uma hora para a outra seria atentar contra a saúde e a vida dessas crianças. O Ministério Público também não concordaria que essas escolas voltassem sem condições. A gente não pode ignorar a realidade da Educação, notória em todo Brasil, mas deve ser sensível a ela e procurar fazer com que todos sejam atendidos da melhor forma possível, dentro dessa realidade”, afirmou Dra Anik.
 
PROTOCOLOS e NORMAS - Os pais ou responsáveis decidirão por aderir ou não ao sistema híbrido. Os que aceitarem, deverão preencher um formulário específico de autorização, permitindo a frequência dos estudantes neste modelo, e garantindo a veracidade das informações concedidas. No entanto, a aprendizagem por meio do modelo não presencial continuará sendo garantida aos alunos. Desde o início do ano letivo, em 01 de fevereiro, a SEDUCT está distribuindo material pedagógico aos estudantes que não têm acesso à internet, na rede pública municipal.
 
Antes do início das aulas híbridas, cada escola vai promover um treinamento dos professores e comunidade escolar, ministrado por profissionais da saúde. Além disso, o Programa Saúde na Escola (PSE) criou um manual de biossegurança com as orientações necessárias para o retorno às aulas, que pode ser acessado no Portal do PAE (aqui). As escolas vão desenvolver, ainda, ação periódica de capacitação para as famílias sobre o protocolo de saúde, com especial ênfase no engajamento colaborativo destes na orientação de seus familiares e na sua corresponsabilidade no sucesso dessas medidas.
 
Em caso de suspeita de contaminação pela Covid-19 por algum membro da família ou de pessoas com quem a criança ou adolescente teve contato, ela deverá deixar de comparecer à escola pelo prazo mínimo de 14 dias. Os responsáveis deverão comunicar imediatamente à instituição de ensino a constatação de sintomas da Covid-19 em seus filhos e/ou familiares.
 
CONSELHO  - O PRÓ-SAÚDE será responsável por acompanhar e avaliar, sob orientação das autoridades sanitárias locais e da secretaria de educação, o processo de retomada das aulas, verificando a aplicação das medidas sanitárias a serem utilizadas pelo alunos, professores e funcionários, e notificação aos órgãos de saúde locais em casos de irregularidades na utilização das medidas sanitárias e casos positivos de contração da Covid-19 entre alunos ou profissionais da educação. O Conselho terá um canal de acesso direto com as Secretarias de Saúde e Educação.



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