Organização Criminosa tinha núcleo na Caixa de Cabo Frio

Criminososos sacavam precatórios com documentos falsos




10/12/2019, 19h16, Foto: PF/Divulgação.

A Polícia Federal de Minas Gerais desarticulou uma organização criminosa que realizou saques de precatórios judiciais. Usando documentos falsos o grupo fez, pelo menos, 11 vítimas em oito estados e Distrito Federal. As informações sobre os precatórios eram repassadas a dois advogados por um núcleo que existia dentro da Caixa Econômica Federal, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, segundo as investigações.


Os valores sacados chegam a R$ 1,3 milhão, o maior foi em Duque de Caixas, R$ 261.153. A Polícia Federal investiga o quanto desse valor já foi sacado, já que o grupo também teve acesso a informações de outros precatórios, no valor R$ 70 milhões. A PF explica que o precatório judicial é um documento emitido pela Justiça para que o Poder Público efetue o pagamento de uma condenação judicial.


Durante a Operação Stellio, realizada nesta terça-feira (10), foram presos três oficiais de cartório, em São Francisco e Luislândia, em Minas Gerais, além de um contador, na Chapada Gaúcha, também em MG, e dois advogados, um da cidade de Arinos (MG), que foi preso em Belo Horizonte e é acusado de realizar saques, e outro da cidade de Cabo Frio, que é funcionário da Caixa Econômica e atuava no núcleo identificado pela Polícia Federal. Ele estava afastado por motivos particulares e foi detido em casa, no bairro Dunas do Peró.


Um terceiro advogado, que também recebia informações para realizar os saques, está foragido. Ele é de São Francisco, no Norte de Minas.


“Através dessas informações, os dois advogados mineiros providenciavam a falsificação de documentos, emitiam uma procuração e conseguiam realizar os saques. Os titulares dos precatórios eram escolhidos aleatoriamente no Brasil inteiro. Havia também um núcleo dos cartórios porque eles sabiam que os documentos eram falsos e mesmo assim lavravam as procurações”, explicou o delegado Thiago Garcia Amorim.


O delegado esclareceu ainda que mesmo estando afastado, o funcionário da Caixa, em Cabo Frio, obtinha dados sobre os precatórios.


“Ele se comunicava com outro servidor que repassava as informações. O advogado já responde a procedimento interno da Caixa em razão de suspeita de participação no saque de outros precatórios. Acreditamos que ele vendia as informações, mas isso ainda está sendo apurado”.


Fonte: G1 Minas