Operação prende 42 milicianos que tentavam extorquir dinheiro de polo da Petrobras

Criminosos comandados por Orlando Curicica cobravam taxas da população e de grandes empresas, incluindo o Comperj


  • 04/07/2019 09h04 Foto: Divulgação.

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do RJ prendeu, na manhã desta quinta-feira (4), 42 suspeitos de integrar uma milícia que invadiu a cidade de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio.

Comandado por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, o grupo paramilitar exigia o pagamento de taxas da população e de grandes empresas. (Leia mais abaixo)

Segundo as investigações, os milicianos fizeram cobranças até ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujas obras foram retomadas no ano passado.

A polícia ainda não informou se o Comperj efetuou os pagamentos exigidos pelos milicianos. Já se sabe que um dos alvos das investidas dos criminosos era o transporte de funcionários ao complexo.

A força-tarefa afirma que o bando lucrava pelo menos meio milhão todos os meses. Orlando Curicica está no presídio federal de Mossoró (RN). Ele é um dos alvos desta operação.

Curicica também é apontado como um dos suspeitos na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

Seu braço direito, o PM Fábio Nascimento de Souza, o China, foi preso em Rio Bonito. Ele servia à Unidade de Polícia Pacificadora do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio. (Leia mais abaixo)

Quadrilha usava mulheres

A ação, batizada de Salvator, visa a cumprir 74 mandados de prisão - cinco deles contra policiais militares - e 90 mandados de busca e apreensão.

Chamou a atenção dos investigadores a participação de mulheres no esquema. A elas cabiam tarefas como cobranças de moradores e lojistas. Uma idosa está entre os presos.

“A prática deles é bem brutal. A gente tem testemunhas e vítimas de extorsões não só destas taxas de segurança, mas também eles tomando alguns comércios, tomando residências, torturando moradores”, explicou o delegado Gabriel Poiava.

Tráfico foi expulso há um ano e meio (Leia mais abaixo)

A milícia atua no município há, pelo menos, um ano e meio. Antes, o tráfico dominava a região.

Após a chegada dos milicianos, traficantes começaram a aparecer mortos, com corpos deixados pelas ruas da cidade, uma forma de intimidar a população. Isso despertou a atenção da polícia e fez com que a quadrilha passasse a ocultar os cadáveres.

Segundo a polícia, a partir de então, a quadrilha comandada por Curirica também se tornou responsável, além de homicídios, pelo desaparecimento de pessoas na cidade.

Com o auxílio de PMs, eles passaram a matar usuários de drogas, autores de pequenos furtos e até mesmo parentes de traficantes de outras comunidades.

"Eles não só atuavam como a gente vislumbra naquela antiga clássica atuação de um grupo de extermínio, com 'taxa de segurança'", explica Rômulo Santos, promotor do Gaeco. "Eles cobravam sobre imóveis vendidos na região", frisou. (Leia mais abaixo)

O promotor afirma também que imóveis tomados eram até anunciados na internet. "Eles expulsavam moradores, tomavam os imóveis e vendiam até através da OLX”, complementou.

Crueldade chamou atenção

De acordo com a polícia, uma das coisas que mais chamaram atenção durante as investigações foi a crueldade com que o grupo executava suas vítimas.

“Uma das coisas que nos chamaram a atenção foram os requintes de crueldade. Alguns foram presos também por tortura, outros porque mutilaram corpos de vítimas", disse Poiava.

"Um chegou a tirar o coração de uma vítima, a cabeça", citou o delegado. (Leia mais abaixo)

Os integrantes da organização ainda são apontados como responsáveis pela maior chacina que já houve no município. Em janeiro deste ano, 10 pessoas foram brutalmente assassinadas.

A ação, da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Ao todo, cerca de 300 policiais civis e 40 PMs estão nas ruas para cumprir os mandados.

Investigações

As investigações tiveram início na mesma época em que Orlando Curicica colocou um dos seus homens de confiança e braço direito, Renato Nascimento dos Santos, o Renatinho Problema, para expandir os negócios da quadrilha. (Leia mais abaixo)

A atuação do bando começou no bairro Visconde de Itaboraí, mas, com a ajuda do policial militar Fábio Nascimento de Souza, o China, em pouco tempo o esquema expandiu para bairros vizinhos.

A organização criminosa, segundo o MP-RJ, tinha funções bem definidas, tais como donos, lideranças, gerência, ‘matadores’, recolhedores, soldados ou olheiros.



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